terça-feira, 9 de junho de 2015

Maneira de Orar: V. Monod- Bordeaux, 1862



O dever de toda criatura humana, o primeiro ato que deve assinalar á vida ativa de cada dia, é a prece.  Quase todos oram, mas muito poucos sabem orar! Que importância terão diante do Senhor as frases que juntais umas às outras, sem compreender o que dizeis, por ser o voos hábito, e um dever que cumpris, e que como todo dever vos pesa?
A prece do cristão, do Espírita,  ou de qualquer outro culto, deve ser feita logo ao acordar, quando o espírito retomou o domínio do corpo após o sono. Deve elevar-se em agradecimento ao pés da Majestade Divina com humildade, do fundo da alma, agradecendo todos os benefícios recebidos até aquele dia; pela noite transcorrida e , durante a qual vos foi permitido, embora inconscientemente ir até junto de vossos amigos, vossos guias para renovar, ao contato com eles, vossas forças e confiança. A prece deve elevar-se humilde aos pés do senhor, para Lhe confessar a vossa fraqueza, e suplicar amparo, indulgência e misericórdia. Ela deve ser profunda, pois é a vossa alma que deve se elevar em direção ao Criador devendo transfigurar-se como Jesus no Tabor, e chegar ao Senhor, branca e radiosa de esperança e de amor.
Vossa prece deve conter  o pedido das graças que tendes necessidade mas, das autênticas necessidades. É inútil, pedir ao senhor para encurtar vossas provas, para vos dar alegrias e riquezas. Rogai-lhe para vos conceder os bens mais preciosos: a paciência, a resignação e a fé. Não deveis dizer, como acontece com muitos entre vós: "Não vale a pena orar, uma vez que Deus não me atende." Que pedis a Deus, na maior parte das vezes? Já vos lembrastes de pedir-Lhe a vossa melhoria moral? Não. Poucas vezes o fazeis. Contudo, estais sempre pedindo o sucesso em vossos empreendimentos da Terra, e frequentemente dizeis: " Deus não se ocupa conosco; se o fizeesse, não haveria tantas injustiças". Insensatos! Ingratos! Se analisássemos honestamente o fundo de vossa consciência, encontrareis quase sempre, em vós mesmos, o ponto de partida dos males dos quais vos lamentais. pedi, antes de todas as coisas, vossa melhoria, e vereis que imensidão de gralhas e consolações derramarão sobre vós.
Devereis orar sempre  sem que, para isso, seja preciso vos recolherdes ao vosso oratório, ou vos exibirdes de joelhos nas praças públicas.  Durante a jornada diária de trabalho, a prece deve constar, como parte do cumprimento de vossos deveres, qualquer a natureza deles, sem exceção. Não é um ato de amor para com o senhor assistir aos vosso irmãos em qualquer necessidade moral ou física? Não é uma to de reconhecimento elevar o vosso pensamento a Deis quando uma felicidade vos chega, um acidente é evitado, até mesmo quando uma contrariedade vos atinge de leve? Portanto, deveis sempre agradecer em pensamento:  Seje abençoado, meu Pai! Não é um ato de arrependimento humilhár-vos diante do Juiz Supremo quando sentirdes que falhartes, ainda que por breve pensamento, dizer-Lhe: Perdoai-me, meu Deus, pois pequei ( por orgulho, por egoísmo ou por falta de caridade); dai-me a força para não mais falhar e a coragem de reparar o meu erro?
Deveis proceder desta maneira independente das preces regulares da manhã, da noite e dos dias consagrados. Como vedes, a prece pode ser feita a todos os instantes, sem trazer nenhuma interrupção aos vossos trabalhos e, se assim fizerdes, ela os santificará. Acreditai que apenas um destes pensamentos, partindo do coração, é mais ouvido por vosso Pai Celestial do que as longas preces ditas por hábito, muitas vezes sem causa determinada, as quais a hora convencionada vos lembra automaticamente chegou o momento da prece.
 


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